domingo, 27 de dezembro de 2015

E, passado um mês... nada!!!

Já passou mais de um mês desde que o novo Ministro da Educação tomou posse e... nada. Nem uma palavra sobre o pensamento do novo Ministro acerca do que quer para a Educação em Portugal. Até agora apenas vimos em todo o seu esplendor a força do PCP ao proclamar o fim dos exames do 4º ano e a impor a extinção da prova dos professores. Assistimos também ao agrado da Fenprof  no final da primeira reunião com Tiago Brandão Rodrigues, mas de resto nada...
Penso que já houve tempo para uma primeira entrevista televisiva ou de jornal de Tiago Brandão para que professores e pais possam saber o que pensa o sucessor de Crato. É que não basta falar no fim da austeridade ou na redução do número de alunos por turma. É preciso concretizar o que pensa o novo Ministro sobre as matrizes curriculares, os programas das disciplinas, o ensino não regular, a escolaridade obrigatória, a avaliação por exames... Afinal de contas, o que quer Tiago Brandão fazer em relação às escolas com contrato de associação? E o que pensa Tiago Brandão do ensino vocacional? Já agora, o que vai Tiago Brandão mudar em relação ao processo de colocação de professores? Tanto há por dizer e... nada!!!
Bem sei que havia necessidade do novo Ministro da Educação conhecer os dossiês. Aliás, Tiago Brandão teve necessidade de conhecer todo o Sistema de Educação português, dado que esteve bastantes anos no estrangeiro. Mas, já passaram mais de trinta dias desde que tomou posse. Não chega? Pelos vistos, só mesmo em 2016 vamos saber o que pensa Tiago Brandão sobre a pasta ministerial que lhe calhou na rifa. Cá para mim, nem ele esperava ser Ministro... Aguardemos... 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O fim dos vocacionais ou uma mera alteração de designações???

A Educação há muito que constitui uma das políticas onde a estabilidade não constitui palavra de ordem. As políticas educativas em Portugal correm ao sabor dos governos, ora mais à esquerda, ora mais à direita. Que me lembre, nos últimos anos, e na área da Educação, os partidos políticos apenas numa questão estiveram de acordo: no alargamento da escolaridade obrigatória para os 18 anos de idade. Uma medida que, na minha opinião, trouxe muitos problemas à Escola Pública. Quem está nas escolas todos os dias percebe o alcance das minhas palavras. Haverá coisa pior para um professor do que tentar ensinar um jovem de 16, 17 ou 18 anos que detesta estudar e que apenas gosta da Escola no tempo dos intervalos?
Mas, vamos ao cerne deste artigo. O PS, de acordo com o seu programa de Governo, defende que o currículo no ensino básico, ou seja, até ao 9º ano de escolaridade, deve ser "integrado, global e comum". E o seu comum implica, segundo o DN, que se extingam os cursos vocacionais dos 2º e 3º ciclos. Ora, a pergunta que há que fazer é a seguinte: vamos ter o fim destes cursos ou mais uma mudança de designação, como já assistimos noutros tempos? O Ministro não responde. Deve estar a estudar os dossiers. já que 15 anos fora do país e da realidade educativa nacional não é brincadeira. Aguardamos, ansiosamente, pela primeira entrevista do Ministro Tiago...
Mas, o que quer este novo Governo? Terá o novo Ministro Tiago pensamento próprios sobre o assunto ou apenas irá levar à prática o que está delineado no programa de Governo do PS? Teremos mesmo um currículo comum a todos os alunos do básico? Se sim, o que fazer com os tais alunos que desde cedo sabemos que não dão "uma para a caixa" em termos de estudo?
Aqui fica a minha opinião. Há que criar uma alternativa para esses alunos. Entre os actuais cursos vocacionais (ou seja, os ex-CEF`s) e uma espécie de Necessidades de Aprendizagens Especiais (NAE) a implementar para os tais alunos, inseridos em turmas do ensino regular, prefiro esta segunda opção. Pelo menos, diluem-se os alunos problemáticos nas ditas turmas de alunos "normais", em vez de os encafuarmos em turmas a que lhes damos nomes pomposos (vocacionais, CEF`s, PIEFs, PCA`s ou outros), numa espécie de autêntica bomba-relógio pronta a explodir. Pelo menos, nas turmas do ensino regular, "puxam-se" estes alunos para cima, em vez de lhes reduzirmos o nível de exigência e fingirmos que os alunos aprendem, que é que acontece actualmente com os cursos vocacionais em muitas escolas do país, nomeadamente as situadas em regiões deprimidas do Interior, onde nem sequer duas empresas se consegue arranjar para que os miúdos façam a componente prática dos cursos...
Necessidades de Aprendizagens Especiais é do que esses miúdos padecem... Pensemos nisso, em vez de mudarmos os nomes para tudo ficar na mesma. A ver vamos o que pensa o Ministro Tiago...    

sábado, 21 de novembro de 2015

O fim dos exames no 4º ano. Chegou o facilitismo socialista...

A esquerda negativa que tem a maioria parlamentar começou a dar de si. Ainda nem sequer estão no Governo mas, já agem como se lá estivessem. Uma das primeiras medidas que resolveram aprovar no Parlamento tem que ver com o fim dos exames no 4º ano. Nem sequer pelo fim do ano lectivo esperaram e, em pleno decurso do 1º período, quando o calendário escolar já está aprovado para todo o ano escolar, eis que a esquerda brada aos céus: "Este ano os meninos do 4º ano já não vão fazer exames"! Olhem que rico exemplo estão a passar às crianças. É o facilitismo esquerdista em todo o seu esplendor...
Políticos nada visionistas e que apenas querem mudam por mudar. É o que temos vistos nos últimos 40 anos de democracia em Portugal, ao nível da exigência. O PSD constrói, o PS destrói, o PSD volta a construir e o PS volta a destruir. Como pode a Educação em Portugal viver num clima de estabilidade com este tipo de estratégia destrutiva da esquerda portuguesa? A procura de consensos é nula...
E que exemplo estamos a dar aos nossos alunos? Os miúdos do 4º ano e que pensavam que iam ter exames no final do ano deverão ficar todos contentes. Lá vão relaxar. Os do 5º ano que tiveram de fazer exames no ano passado irão ficar defraudados, numa espécie de injustiça que lhes fizeram. Os do 3º ano, cujos professores já lhes iam falando nos exames nacionais, vão esfregar aos mãos de contentes. Enfim, é a imagem do facilitismo que passa.

sábado, 7 de novembro de 2015

Sabem quem é a Amélia Loureiro?

O XX Governo Constitucional corre o sério risco de ser o mais curto da história da democracia portuguesa. A razão é simples: a procura do poleiro por parte de António Costa e seus amigos e o constante ódio que a esquerda radical nutre por Passos Coelho. Por isso, corremos o risco de desperdiçar uma oportunidade de ouro, pelo menos ao nível da Educação. Explico-me melhor...
Apesar da Ministra da Educação e da Ciência vir da área da Gestão (deve ser para poupar ainda mais dinheiro na Educação!), a verdade é que a Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário e, portanto, quem realmente tem a função de dialogar com os diretores das escolas é alguém que conhece como poucos na Educação o real funcionamento das escolas. Porquê? Muito simples. Porque já deu aulas no ensino básico e secundário e porque era até agora a Diretora de uma das escolas de Coimbra. Portanto, sabe do que fala quando o tema é a Educação...
É uma novidade relativamente a muitos dos governos anteriores. Ter uma Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário que, na prática, foi professora e diretora de uma escola pública é uma vantagem que, nestes tempos difíceis que vivemos, não deveríamos desperdiçar. Claro que ainda podemos vir a ter um governo de gestão (tudo depende do que Cavaco Silva decidir fazer depois da aprovação da moção de rejeição do programa de Governo) mas, ainda é possível, acreditar que esta equipa governativa fique por mais alguns meses...
É uma oportunidade de ouro que pode ser desperdiçada pela ânsia de poder de António Costa, alguém que se comportou como um verdadeiro imbecil, sem escrúpulos, depois de tanto ter criticado Seguro pela sua vitória por "poucochinho". Depois de António Costa ter sofrido uma derrota tão humilhante, como a que sofreu no passado dia 4 de outubro, é preciso ter descaramento e não ter um pingo de vergonha para se sujeitar ao papel de fazer as vontades todas à esquerda radical para conseguir ir para Primeiro-Ministro.
Volto à carga! Estamos prestes a desperdiçar a oportunidade de não ver atuar como Secretária de Estado alguém que, de facto, vem da área da Educação (como professora e como diretora de uma escola) e que até já confrontou a própria tutela, ou seja, Nuno Crato há cerca de dois anos a propósito da abertura de turmas em Coimbra (ver aqui)... É mais uma razão para não guinamos à esquerda...   

domingo, 18 de outubro de 2015

Sobre a idade dos professores...

Na semana passada, o CNE (Conselho Nacional da Educação) publicou um interessante estudo sobre o Estado da Educação. É um estudo muito pormenorizado sobre a Educação em Portugal, onde são dados a conhecer centenas de gráficos a propósito da evolução registada pelo nosso país ao nível dos resultados escolares, da população estudantil, dos docentes, sempre numa lógica de comparação temporal e geográfica com os outros países da UE. Aconselho a sua leitura...
Um dos indicadores que tive maior curiosidade em analisar foi o da idade da classe docente. Sabemos que nos queixamos de que a idade média dos professores portugueses tende a ser cada vez maior, que cada vez há menos colegas contratados nas nossas escolas, que há cada vez mais professores com 50 ou mais anos de idade a leccionar... Tudo verdade! Com a quebra da natalidade e o contínuo êxodo rural, as escolas do Interior do país são aquelas que mais se ressentem com a diminuição do número de alunos. Nem o alargamento da escolaridade até aos 18 anos de idade ameniza este problema... E com a política de agrupar estabelecimentos escolares, a acrescentar à redução do número de professores no sistema, a tendência para o envelhecimento da classe docente é inevitável...
Mas, comparemos a nossa realidade com aquilo que se passa nos outros países da UE. Entre os 27 países da UE considerados no estudo (com dados de 2013), mais de metade (15 países) apresentam uma classe docente mais envelhecida que a portuguesa. De facto, se considerarmos apenas os professores com mais de 50 anos de idade, a realidade portuguesa não é das piores. Ou seja, até podemos considerar a nossa classe docente como das mais jovens da UE: há apenas 11 países, de um total de 26, que têm mais professores até aos 49 anos do que Portugal. Afinal, a nossa classe docente não está assim tão envelhecida... E, professores com mais de 60 anos de idade, há 20 países da UE, onde o seu peso percentual em relação ao total é maior do que em Portugal.
Claro que não podemos analisar apenas este tipo de indicador de forma isolada. Seria importante saber como são as condições laborais dos docentes tendo em conta a sua idade. Como é a redução da componente letiva tendo em conta a idade dos docentes nos outros países da UE? Qual é o número médio de alunos por professor, com base na idade, nos outros países da UE? Em que tipo de atividades (letivas ou não letivas) é que os professores com mais de 50 anos ocupam a maior parte do seu tempo nos outros países da UE? Muitas são as questões que estão por responder e que, efetivamente, seriam importantes de responder por forma a saber a realidade das condições em que trabalham os docentes nos países da UE
Mas, com este relatório, ficamos a saber que, afinal, a classe docente portuguesa não é assim tão envelhecida como muitos julgam. Em Portugal, no 3º ciclo do ensino básico, sete em cada dez professores têm menos de 50 anos de idade!

sábado, 12 de setembro de 2015

Os professores são a segunda classe profissional mais representantiva no parlamento. Mas isso não se nota nada...

Na última legislatura, dos 230 deputados com assento na Assembleia da República, 39 tinham a profissão de professores. A seguir aos advogados é a segunda classe profissional com maior protagonismo no parlamento. Contudo, se analisarmos com atenção a sua acção legislativa (sim, porque a principal função do parlamento é a de legislar), a verdade é que estes professores quando chegam a deputados parecem esquecer-se por completo da sua profissão anterior. Vestem a pele de deputados e a Educação parece ser algo que pouco ou nada lhes diz...
Digo isto porque tendo estes professores a obrigação de saber o que se passa nas nossas escolas e a forma como o sistema de educação funciona no nosso país, haveria muito a legislar por forma a que o sistema melhorasse substancialmente. Quem está bem colocado num lugar trabalha sempre melhor. Toda a gente o sabe. Ora, no início de cada ano lectivo um dos assuntos de que mais se costuma falar nas nossas escolas é o que tem que ver com os concursos de professores e as suas injustiças. Este ano não fugiu à regra. Todos dizem que a existência de um único concurso, assente apenas na graduação profissional, seria factor de justiça e equidade. E o que temos é precisamente o contrário; várias fases de concursos, várias prioridades e a graduação profissional ultrapassada por outros critérios. Ora, porque razão é que durante os últimos quatro anos não vimos acções concretas por parte dos deputados da Nação que já foram professores falar no parlamento sobre a necessidade de alterar os procedimentos nos concursos de professores? E todos os partidos têm professores nas suas listas!!!
Atentemos agora aos candidatos a deputados. Basta analisar as listas dos dois principais partidos no círculo eleitoral de Viseu. A coligação PSD-PP apresenta uma lista em que 36% dos candidatos são professores. No PS, a segunda profissão mais representativa dos candidatos é a de professor. Pois é, continuamos a ter muitos professores nas listas dos vários partidos. E é caso para perguntar: será isto uma vantagem para a classe docente? Só se for por sobrarem mais algumas vagas para os concursos, porque quando estes colegas chegam a deputados parecem esquecer-se que são professores e deixam-se enredar pela teia dos regimes partidários e da disciplina de voto. 
Porque não se legisla na Assembleia da República no sentido de haver apenas um concurso de colocação de professores assente na graduação profissional? Com tantos professores no Parlamento não seria difícil legislar nesse sentido... 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mal-estar latente entre QA`s e QZP`s...

A publicação das listas de colocação referentes à Mobilidade Interna (MI) veio agudizar o mal-estar que já era evidente entre os professores vinculados a uma escola ou agrupamento e os que estão vinculados a um QZP.
Já por várias vezes aqui escrevi sobre este assunto. Para alguns não pensarem que apenas agora me queixo desta injustiça, basta lerem o que escrevi há um ano e meio aqui... Parece claro que o clima de tensão é bem evidente: basta ler os comentários incluídos no artigo anterior para perceber como se sentem os QA`s que estão vinculados longe das suas áreas de residência e que se vêem, ano após anos, "ultrapassados" por colegas menos graduados na fase dos destacamentos para aproximação à residência. É que convém não esquecer que muitos destes QA`s estão efectivos longe das suas casas porque a isso foram obrigados quando há uns anos atrás o MEC obrigou os QZP´s a concorrerem para efectivar numa escola, tendo em vista o fim dos QZP´s. Os governos mudaram, as regras mudaram e agora parece evidente que o MEC pretende ter o maior número possível de docentes afectos a um QZP para reduzir o número de professores contratados. E quem fica prejudicado com esta situação toda são muitos dos QA`s que se vêm "ultrapassados" por colegas QZP`s menos graduados...
É claro que os professores QZP`s que saem beneficiados com as actuais regras injustas não têm culpa dessa situação. Não cometem nenhuma ilegalidade e apenas usufruem das regras existentes. E é claro que nem todos os QZP`s conseguem ficar próximos das suas áreas de residência, mesmo concorrendo na 1º prioridade na fase da MI. Há casos para todos os gostos...
Mas, nota-se que aqueles colegas que estão vinculados a um QZP e que nesta fase dos concursos concorrem na 1º prioridade, com uma graduação muito abaixo de colegas QA`s e que, fruto das regras existentes, ficam próximos das suas casas, muitas vezes, com componentes lectivas que não chegam a 10 horas semanais, esse colegas QZP`s, dizia, parecem andar comprometidos com a situação. Sentem que beneficiam de algo que, em termos de ética profissional, é injusto. Pelo menos é isso que tenho constatado ao falar com colegas com pouco mais de dez anos de serviço, que estão vinculados a um QZP e que, concorrendo na 1ª prioridade na MI, passam à frente de colegas QA´s muito mais graduados e que, ano após ano, vêm cada vez mais longínqua a hipótese de ficarem destacados mais próximo das suas famílias.
É que, convenhamos, quando analisamos as listas da MI e verificamos que no nosso grupo disciplinar dezenas de colegas menos graduados passam para a 1º prioridade porque estão vinculados a um QZP (queixando-se que não têm escola) e depois conseguem, ano após ano, um horário, muitas vezes com pouco mais do que oito horas lectivas, numa escola bem perto das suas áreas de residência, a palavra que mais se ouve nas conversas entre professores é "injustiça"...
Já não bastava o mal-estar que, muitas vezes, é bem notório nas nossas escolas entre professores mais velhos e menos velhos (por causas dos salários auferidos) ou entre colegas efectivos e colegas contratados (por causa do tipo de turmas que lhes são distribuídas), agora temos o "conflito" entre docentes QA`s e os que são QZP`s. 
Com um novo Ministro da Educação (a questão dos concursos foi um dos pontos negros da governação de Nuno Crato durante estes quatro anos)  pode ser que as regras concursais mudem. Aliás, urge reformar por completo os procedimentos de colocação de professores. É que também nas BCE`s, a confusão é total... Mas, também seria importante que os sindicatos se mexessem...

sábado, 29 de agosto de 2015

Para muitos, a mesma sina de sempre: voltar à estrada...

Aí está Setembro e o início de um novo ano lectivo. As listas finalmente foram publicadas (uma vez mais quase no final de Agosto) e a lotaria deu no que deu: alegria para alguns, tristeza para muitos e angústia para mais de vinte mil colegas que não conseguiram colocação...
Uma vez mais confirma-se que é urgente mudar por completo o processo de colocação de professores: os colegas QZP`s menos graduados continuam a sair beneficiados na fase de mobilidade interna em relação aos colegas QA`s mais graduados; continuam a processar-se colocações pelo mês de Setembro, quando já todas as escolas deveriam estar com os seus professores ao serviço e continua patente a confusão e burocratização das colocações ao nível de escola. Urge reformar por completo o processo de colocação de professores: uniformizar e simplificar, tendo como critério principal a graduação profissional...
No final do dia de publicitação das listas, o Facebook transformou-se no local de desabafo de muitos professores: uns contentes com o que lhes havia caído em sorte, outros (muitos) desiludidos. Para muitos (demasiados) à medida que os anos passam parecem mais distantes as hipóteses de ficarem mais próximo das suas áreas de residência. Só meu rol de colegas vi demasiados ficarem bem pior do que haviam estado nos últimos dois anos. E falo de colegas já vinculados ao MEC, na casa dos quarenta anos, que constituíram família e que têm filhos: uma colega de Trancoso que ficou agora colocada em Montalegre, outra de Tondela a ficar colocada em Leiria, um outro de São João da Madeira a ficar colocado em Vila Pouca de Aguiar. Todos eles estiveram nos últimos dois anos mais próximos de casa... Enfim, podia dar mais exemplos: professores com cerca de vinte anos de serviço e que, nesta fase dos concursos, continuam a não conseguir-se aproximar-se de casa. Porquê? Em parte porque concorrem na 2ª prioridade e são passados à frente pelos colegas QZP`s, muitos deles menos graduados... Mas, muitas outras injustiças existem neste obsoleto modelo de colocação de professores!!!
Pena é que daqui a duas semanas os sindicatos deixem de falar no assunto e apenas se volte a ouvir falar em concursos de professores daqui a um ano. Até lá, mais do mesmo...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O que dizem os programas eleitorais do PSD e PS sobre os concursos de colocação de professores...

Programa da Coligação
Programa eleitoral da coligação PSD/CDS, páginas 15 e 16: "Reforçar a contratualização da autonomia das escolas (...) com contratação de docentes para preencher necessidades transitórias e renovação por mútuo acordo do serviço docente prestado por professores contratados."
Programa eleitoral do PS, páginas 46 e 47: "Consolidar e alargar significativamente o regime de autonomia, administração e gestão das escolas e agrupamentos; garantir uma maior estabilidade do corpo docente, utilizando mecanismos de incentivo à localização de professores a zonas menos atrativas, promovendo a redução da rotação dos professores por diferentes escolas, garantindo que a colocação dos professores permite o acompanhamento dos alunos durante um ciclo de ensino; rever o processo de recrutamento de educadores e professores".
Programa do PS
Diferenças? Poucas. De facto, se a coligação é ambígua na forma como se refere à contratação de docentes para preenchimento das necessidades transitórias (não especifica se é por concurso nacional ou por contratação de escola), a proposta do PS não é muito mais esclarecedora, apenas referindo que pretende rever o processo de recrutamento dos professores. Em que sentido? Não sabemos. Para alargar o âmbito da autonomia das escolas? Não sabemos. Para definir apenas a graduação profissional como critério de selecção? Não sabemos. O que sabemos é que o PS quer promover a redução da rotação dos professores pelas escolas. O que isso implica? Bem, no esboço de programa eleitoral significava penalizar (não sabemos como) os professores que concorressem insistentemente para ficarem próximos das suas residências. Esta ideia da penalização foi deixada cair na definição do programa eleitoral, mas continua vincado o objectivo de garantir que os professores fiquem quatro anos na mesma escola. Será que o PS quer terminar com a mobilidade interna anual (os antigos destacamentos por aproximação à residência)? Não sabemos, mas...
Enfim, se alguém está à espera de definir a sua intenção de voto a partir do que são as intenções da coligação e do PS quanto aos concursos dos professores, já sabe que as semelhanças são maiores que as diferenças. É o centrão no seu melhor! Ambos continuam com o discurso do reforço da autonomia das escolas, mas são bastante ambíguos no que tencionam fazer com o processo de colocação de professores. Defenderão apenas um concurso geral baseado na graduação profissional? Não sabemos! Pretenderão continuar com as confusões das contratações de escola? Parece que sim, já que a coligação refere-se à continuação da renovação de professores contratados pelas escolas e o PS insiste na autonomia das escolas a este nível. Irão criar obstáculos a quem todos os anos concorre na mobilidade interna para tentar aproximar-se de casa? Bem, aqui parece que temos uma diferença: a coligação nada refere sobre o assunto, enquanto que o PS dá a entender que tudo irá fazer para que as colocações de professores sejam obrigatórias por quatro anos (recordemos a conversa da penalização que vinha no esboço do programa eleitoral do PS...). 
Portanto, parece haver uma única diferença entre a coligação e o PS no que se refere ao processo de colocação de professores. Ambos insistem na autonomia das escolas e não são contra a que a contratação de docentes possa ser feita a nível de escola. Quanto à possibilidade dos professores tentarem (todos os anos) ficarem mais próximos das suas residências, o PS deixa claro que o que lhe interessa é a estabilidade do corpo docente por quatro anos, recusando a sua rotatividade. De resto, temos as duas faces da mesma moeda, ao estilo Dupont e Dupont... 

sábado, 25 de julho de 2015

A dura realidade explicada por Passos Coelho

Na mais recente entrevista concedida por Passos Coelho à TVI falou-se sobre o "desinvestimento" público no sector da Educação a que assistimos nestes últimos quatro anos. De facto, basta recorrermos ao últimos quatro Orçamentos de Estado para percebermos que a despesa pública destinada à Educação decresceu. Uma das perguntas feitas a Passos Coelho teve que ver precisamente com essa constatação.
Ora, como já escrevi aqui inúmeras vezes, gastar-se menos dinheiro numa determinada área não significa, forçosamente, que nessa área se assista a uma perda de qualidade ao nível do serviço prestado. E Passos Coelho explicou-se muito bem. De facto, se nestes quatro anos houve uma redução do número de professores, é óbvio que a despesa pública na área da Educação teve que baixar, até porque 70% da despesa pública na Educação se destina ao pagamento de salários. Claro que, como diz o povo, "sem ovos não se fazem omoletes" e, portanto, se há menos professores para o mesmo número de alunos, a qualidade do ensino em Portugal não pode ser a mesma, até porque, a tendência sentida não foi a da redução do número de alunos por turma. Mas, também aqui há pontos que devem ser esclarecidos para que se compreenda por que razão se pode dizer que um menor número de professores no sistema não tem, forçosamente, de comprometer a qualidade do ensino prestado aos nossos alunos. Efectivamente, há três realidades que não devem ser esquecidas: o número de alunos, por via da redução da natalidade, tem vindo a decrescer; o fecho das pequenas escolas do 1º ciclo e a sua concentração em pólos foi uma medida que já vinha de trás e em que se continuou a apostar; a crescente litoralização é um fenómeno também sentido na Educação. Estas três realidade explicam, em grande parte, a redução do número de professores, para além da tomada de uma medida administrativa que levou à redução do número de professores do quadro com horário zero ou reduzido: a redução do número de QZP`s. A combinação destes factores levou a que, nestes quatro anos, o número de professores contratados tenha decrescido na ordem das duas dezenas de milhar, com consequências óbvias ao nível da redução da despesa pública.
Claro que o ideal seria termos menos alunos por turma, mais escolas de média dimensão (em vez dos mega-agrupamentos que temos), maior número de professores e, já agora, uma taxa de natalidade mais elevada. Mas, a dura realidade que temos é bem diferente da idealizada e é com ela que temos de nos confrontar: um país que há quatro anos esteve à beira da bancarrota, com défices orçamentais anuais a rondar os 10% e que foi obrigado a entrar numa lógica de austeridade e contenção de gastos, também ela sentida na Educação, sobretudo ao nível da redução do número de professores contratados. Como escrevi há quatro anos penso que, tal como pode e deve ocorrer ao nível dos orçamentos familiares, também ao nível do Estado se "pode fazer o mesmo ou melhor com menos"...
Agora é chegado o tempo de reflectir e decidir: ou continuamos paulatinamente o caminho que temos vindo a trilhar com, como diz o povo, "os pés bem assentes na terra" e sem desvarios ou, em alternativa, voltamos ao passado e à lógica do viver-se "em grande e em festa", qual desvario socialista que quase nos levou à bancarrota...