sábado, 29 de agosto de 2015

Para muitos, a mesma sina de sempre: voltar à estrada...

Aí está Setembro e o início de um novo ano lectivo. As listas finalmente foram publicadas (uma vez mais quase no final de Agosto) e a lotaria deu no que deu: alegria para alguns, tristeza para muitos e angústia para mais de vinte mil colegas que não conseguiram colocação...
Uma vez mais confirma-se que é urgente mudar por completo o processo de colocação de professores: os colegas QZP`s menos graduados continuam a sair beneficiados na fase de mobilidade interna em relação aos colegas QA`s mais graduados; continuam a processar-se colocações pelo mês de Setembro, quando já todas as escolas deveriam estar com os seus professores ao serviço e continua patente a confusão e burocratização das colocações ao nível de escola. Urge reformar por completo o processo de colocação de professores: uniformizar e simplificar, tendo como critério principal a graduação profissional...
No final do dia de publicitação das listas, o Facebook transformou-se no local de desabafo de muitos professores: uns contentes com o que lhes havia caído em sorte, outros (muitos) desiludidos. Para muitos (demasiados) à medida que os anos passam parecem mais distantes as hipóteses de ficarem mais próximo das suas áreas de residência. Só meu rol de colegas vi demasiados ficarem bem pior do que haviam estado nos últimos dois anos. E falo de colegas já vinculados ao MEC, na casa dos quarenta anos, que constituíram família e que têm filhos: uma colega de Trancoso que ficou agora colocada em Montalegre, outra de Tondela a ficar colocada em Leiria, um outro de São João da Madeira a ficar colocado em Vila Pouca de Aguiar. Todos eles estiveram nos últimos dois anos mais próximos de casa... Enfim, podia dar mais exemplos: professores com cerca de vinte anos de serviço e que, nesta fase dos concursos, continuam a não conseguir-se aproximar-se de casa. Porquê? Em parte porque concorrem na 2ª prioridade e são passados à frente pelos colegas QZP`s, muitos deles menos graduados... Mas, muitas outras injustiças existem neste obsoleto modelo de colocação de professores!!!
Pena é que daqui a duas semanas os sindicatos deixem de falar no assunto e apenas se volte a ouvir falar em concursos de professores daqui a um ano. Até lá, mais do mesmo...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O que dizem os programas eleitorais do PSD e PS sobre os concursos de colocação de professores...

Programa da Coligação
Programa eleitoral da coligação PSD/CDS, páginas 15 e 16: "Reforçar a contratualização da autonomia das escolas (...) com contratação de docentes para preencher necessidades transitórias e renovação por mútuo acordo do serviço docente prestado por professores contratados."
Programa eleitoral do PS, páginas 46 e 47: "Consolidar e alargar significativamente o regime de autonomia, administração e gestão das escolas e agrupamentos; garantir uma maior estabilidade do corpo docente, utilizando mecanismos de incentivo à localização de professores a zonas menos atrativas, promovendo a redução da rotação dos professores por diferentes escolas, garantindo que a colocação dos professores permite o acompanhamento dos alunos durante um ciclo de ensino; rever o processo de recrutamento de educadores e professores".
Programa do PS
Diferenças? Poucas. De facto, se a coligação é ambígua na forma como se refere à contratação de docentes para preenchimento das necessidades transitórias (não especifica se é por concurso nacional ou por contratação de escola), a proposta do PS não é muito mais esclarecedora, apenas referindo que pretende rever o processo de recrutamento dos professores. Em que sentido? Não sabemos. Para alargar o âmbito da autonomia das escolas? Não sabemos. Para definir apenas a graduação profissional como critério de selecção? Não sabemos. O que sabemos é que o PS quer promover a redução da rotação dos professores pelas escolas. O que isso implica? Bem, no esboço de programa eleitoral significava penalizar (não sabemos como) os professores que concorressem insistentemente para ficarem próximos das suas residências. Esta ideia da penalização foi deixada cair na definição do programa eleitoral, mas continua vincado o objectivo de garantir que os professores fiquem quatro anos na mesma escola. Será que o PS quer terminar com a mobilidade interna anual (os antigos destacamentos por aproximação à residência)? Não sabemos, mas...
Enfim, se alguém está à espera de definir a sua intenção de voto a partir do que são as intenções da coligação e do PS quanto aos concursos dos professores, já sabe que as semelhanças são maiores que as diferenças. É o centrão no seu melhor! Ambos continuam com o discurso do reforço da autonomia das escolas, mas são bastante ambíguos no que tencionam fazer com o processo de colocação de professores. Defenderão apenas um concurso geral baseado na graduação profissional? Não sabemos! Pretenderão continuar com as confusões das contratações de escola? Parece que sim, já que a coligação refere-se à continuação da renovação de professores contratados pelas escolas e o PS insiste na autonomia das escolas a este nível. Irão criar obstáculos a quem todos os anos concorre na mobilidade interna para tentar aproximar-se de casa? Bem, aqui parece que temos uma diferença: a coligação nada refere sobre o assunto, enquanto que o PS dá a entender que tudo irá fazer para que as colocações de professores sejam obrigatórias por quatro anos (recordemos a conversa da penalização que vinha no esboço do programa eleitoral do PS...). 
Portanto, parece haver uma única diferença entre a coligação e o PS no que se refere ao processo de colocação de professores. Ambos insistem na autonomia das escolas e não são contra a que a contratação de docentes possa ser feita a nível de escola. Quanto à possibilidade dos professores tentarem (todos os anos) ficarem mais próximos das suas residências, o PS deixa claro que o que lhe interessa é a estabilidade do corpo docente por quatro anos, recusando a sua rotatividade. De resto, temos as duas faces da mesma moeda, ao estilo Dupont e Dupont... 

sábado, 25 de julho de 2015

A dura realidade explicada por Passos Coelho

Na mais recente entrevista concedida por Passos Coelho à TVI falou-se sobre o "desinvestimento" público no sector da Educação a que assistimos nestes últimos quatro anos. De facto, basta recorrermos ao últimos quatro Orçamentos de Estado para percebermos que a despesa pública destinada à Educação decresceu. Uma das perguntas feitas a Passos Coelho teve que ver precisamente com essa constatação.
Ora, como já escrevi aqui inúmeras vezes, gastar-se menos dinheiro numa determinada área não significa, forçosamente, que nessa área se assista a uma perda de qualidade ao nível do serviço prestado. E Passos Coelho explicou-se muito bem. De facto, se nestes quatro anos houve uma redução do número de professores, é óbvio que a despesa pública na área da Educação teve que baixar, até porque 70% da despesa pública na Educação se destina ao pagamento de salários. Claro que, como diz o povo, "sem ovos não se fazem omoletes" e, portanto, se há menos professores para o mesmo número de alunos, a qualidade do ensino em Portugal não pode ser a mesma, até porque, a tendência sentida não foi a da redução do número de alunos por turma. Mas, também aqui há pontos que devem ser esclarecidos para que se compreenda por que razão se pode dizer que um menor número de professores no sistema não tem, forçosamente, de comprometer a qualidade do ensino prestado aos nossos alunos. Efectivamente, há três realidades que não devem ser esquecidas: o número de alunos, por via da redução da natalidade, tem vindo a decrescer; o fecho das pequenas escolas do 1º ciclo e a sua concentração em pólos foi uma medida que já vinha de trás e em que se continuou a apostar; a crescente litoralização é um fenómeno também sentido na Educação. Estas três realidade explicam, em grande parte, a redução do número de professores, para além da tomada de uma medida administrativa que levou à redução do número de professores do quadro com horário zero ou reduzido: a redução do número de QZP`s. A combinação destes factores levou a que, nestes quatro anos, o número de professores contratados tenha decrescido na ordem das duas dezenas de milhar, com consequências óbvias ao nível da redução da despesa pública.
Claro que o ideal seria termos menos alunos por turma, mais escolas de média dimensão (em vez dos mega-agrupamentos que temos), maior número de professores e, já agora, uma taxa de natalidade mais elevada. Mas, a dura realidade que temos é bem diferente da idealizada e é com ela que temos de nos confrontar: um país que há quatro anos esteve à beira da bancarrota, com défices orçamentais anuais a rondar os 10% e que foi obrigado a entrar numa lógica de austeridade e contenção de gastos, também ela sentida na Educação, sobretudo ao nível da redução do número de professores contratados. Como escrevi há quatro anos penso que, tal como pode e deve ocorrer ao nível dos orçamentos familiares, também ao nível do Estado se "pode fazer o mesmo ou melhor com menos"...
Agora é chegado o tempo de reflectir e decidir: ou continuamos paulatinamente o caminho que temos vindo a trilhar com, como diz o povo, "os pés bem assentes na terra" e sem desvarios ou, em alternativa, voltamos ao passado e à lógica do viver-se "em grande e em festa", qual desvario socialista que quase nos levou à bancarrota... 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Escola-contentorização...


A revista Visão desta semana volta a prestar serviço público, dando a conhecer importantes dados sobre o tempo que os alunos portugueses passam na Escola (em comparação com os alunos do resto da Europa) e a organização (ou falta dela) das férias ao longo do ano. 
São informações importantes que deveriam servir, antes de tudo, para que a tutela refletisse e ponderasse efetivar mudanças que urgem aplicar, por forma a que se deixe de ter uma situação de "oito e oitenta" como por cá vigora: muito tempo seguido de aulas, em cada um dos períodos de aulas, e demasiado tempo sem aulas no tempo de verão.
Para quem é professor não é novidade que no ensino básico temos um excesso de número de horas letivas, a acrescentar ao facto de, no 3º ciclo, termos também disciplinas a mais. É uma sobrecarga de horas passadas nas salas de aula que só prejudica os nossos alunos, sobretudo os alunos medianos e os que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem. Ainda por cima, há que não esquecer que estes alunos mais fracos são aqueles que acabam por ser "bombardeados" com maior número de horas de apoio, de tutoria, de assessoria, de sala de estudo que, muitas vezes, têm efeitos contraproducentes. Há muito que defendo que urge fazer alterações nos currículos e cargas horárias, sobretudo, no ensino básico. E, falando do 1º e 2º ciclos, sabemos que as últimas alterações produzidas apenas vieram no sentido de antecipar conteúdos programáticos que eram lecionados uns anos mais tarde. Veja-se o que aconteceu com a disciplina de Matemática...
Os defensores do imobilismo defendem que os países que apresentam maiores pausas letivas ao longo do ano fazem-no por razões ligadas à severidade das condições climatéricas. Afirmam que nos países do centro e norte da Europa, o Inverno é muito rigoroso e que, por isso, os alunos têm de ter um maior número de dias sem aulas. Ora, se isso não deixa de ser verdade, também não é mentira que os melhores resultados obtidos por esses países nos rankings internacionais (p.ex. do PISA) poderão ter que ver com essas quebras letivas.
Por cá, há muito que temos o domínio da Escola-contentorização. A reduzida flexibilidade nas condições laborais, a acrescentar às dificuldades em harmonizar os tempos de escola e de trabalho, tem levado ao absurdo de termos os alunos portugueses entregues, durante o dia (muitas vezes, desde as 8 horas da manhã até às 19 horas da tarde) aos seus professores. E, se fosse possível, muitos pais deixariam os seus filhos até mais tarde nas escolas...
E, no dia a dia, o que temos? Disciplinas atrás de disciplinas, com o disparate de chegarmos a ter alunos do 3º ciclo do ensino básico com sete e oito disciplinas num só dia! Como podem os miúdos chegar à ultima aula do dia com vontade e empenho para trabalhar? Veja-se o que se passa na Finlândia, tantas vezes, elogiado como o bom exemplo a seguir em matéria educacional. Por lá, até ao sexto ano de escolaridade, os alunos têm menos 35% de horas letivas ao fim de um ano comparando com o que se passa por cá! E isso quer dizer que as crianças finlandesas aprendem menos? Não, apenas que aprendem melhor!!!
"Mais Escola" não é sinónimo de "Melhor Escola". Pode ser que o próximo Ministro da Educação, independentemente de quem o venha a ser, perceba isso...  


quarta-feira, 3 de junho de 2015

A propósito das turmas do vocacional e profissional...

Nas últimas semanas muito se falou de delinquência e violência na adolescência. Todos recordamos os casos ocorridos em Salvaterra de Magos e na Figueira da Foz. Contudo, basta folhear o Correio da Manhã, o Jornal de Notícias ou os jornais locais para perceber que a delinquência juvenil apresenta contornos cada vez mais graves e preocupantes que vão para além das situações pontuais ou ocasionais.
Curiosamente (ou não), quando a comunicação social aprofunda um pouco mais estes casos (não se limitando a reportar a notícia), ficamos a saber que, muitas vezes, estes adolescentes frequentam turmas do ensino vocacional ou profissional. Claro que também há alunos problemáticos em turmas do ensino regular, mas seria importante que a tutela e as escolas refletissem sobre este fenómeno. É que se o ensino vocacional/profissional apresenta contornos especiais ao nível do tipo de alunos que o frequentam (desmotivados, desinteressados, com problemas de aprendizagem e/ou comportamentais, etc.), então há que repensar a forma como são dadas às escolas as condições necessárias para que os professores que têm estas turmas consigam lidar com alunos tão problemáticos como os que frequentam estas turmas.
É que não basta juntar neste tipo de turmas do vocacional/profissional os alunos problemáticos das escolas, por forma a que se "limpe" das turmas do regular os alunos desinteressados e indisciplinados, e depois esperar que aulas menos teóricas e mais práticas possam "despertar" nestes alunos o interesse pela escola... Há muito mais a fazer, sobretudo ao nível do apetrechamento dos recursos humanos e materiais necessários para que os professores consigam lidar com estes alunos tão "difíceis". 
Há oito anos consecutivos que tenho turmas com este tipo de alunos: dos antigos cursos tecnológicos aos atuais cursos profissionais, passando pelos ex-CEF`s e atuais vocacionais, há oito anos que tenho tido a meu cargo este tipo de alunos. E se nalguns casos (excecionais) houve turmas que se assemelharam a turmas do regular (lembro-me, sobretudo, de uma turma do curso profissional de turismo, cujos alunos estavam nesse curso porque assim queriam e não porque tivessem sido "empurrados"), outros casos tive em que o objetivo da formação deste tipo de alunos foi apenas o de permitir que os alunos que contribuíam para as retenções fossem para um tipo de curso mais fácil de terminar. Mas, e o resto? É que se estes alunos apresentam caraterísticas muito próprias, então há que canalizar meios específicos para estas turmas. Dou apenas alguns exemplos: possibilidade de haver assessorias nas disciplinas ditas mais teóricas, disponibilizar salas específicas para estas turmas (dotadas de computador, de projetor multimédia e de materiais específicos para trabalhos práticos), possibilitar que estas turmas sejam divididas em dois grupos e tenham uma componente horária de aulas menos pesada, apostar nos serviços de psicologia e orientação das escolas relativamente a estes alunos, etc. 
É que é, também na escola, que os problemas de delinquência juvenil pode ser prevenida. E um dos focos de abordagem deste fenómeno está precisamente neste tipo de turmas...   

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Sabiam que os "sábios" do PS defendem a penalização dos professores que tentam aproximar-se das suas áreas de residência?!

Pois bem, na parte do relatório relacionada com o tema "Organização das escolas - criação de um quadro estável nas escolas", é referido que um dos factores que mais contribui para o insucesso escolar tem que ver com a falta de estabilidade docente nas escolas. Para os sábios do PS um professor colocado há vinte anos na mesma escola ensina melhor do que um professor que a cada quatro anos muda de escola, para tentar aproximar-se da sua área de residência! Então surge esta ideia completamente disparatada: penalize-se os professores que tentam mudar de escola por quererem estar mais próximos das suas áreas de residência e das suas famílias. Só falta mesmo escrever no relatório que os professores portugueses não podem ter família!!!
Para estes senhores, um professor de Viseu que esteja colocado em Lisboa, deve ser penalizado (é esta a palavra que utilizam!) por querer estar numa escola mais próxima da sua área de residência!!! Para estes senhores, sempre que este professor se apresentasse a concurso, deveria ser penalizado, porque estaria a contribuir para o insucesso dos seus alunos. Para estes senhores, os professores que mudam de escola (e, geralmente, agora só se muda de escola de quatro em quatro anos!) só pensam nas suas famílias, prejudicando os alunos! Será que o PS quer acabar com os concursos? Se não é, parece! É que na mesma página do relatório surge esta frase: "os concursos (...) devem ser reduzidos às situações de substituição de ausências temporárias".
Estou curioso para ver a reacção dos meus colegas socialistas que tanto criticaram o risco da municipalização da Educação (diziam que seria o fim dos concursos gerais de colocação de professores!) e que agora ficam mudos quando no relatório do PS se dá a entender que o melhor é acabar com os concursos ou penalizar quem se submete ao concurso. Já agora, gostaria de saber que tipo de penalização será esta?!...
Ficamos a aguardar! Volto a referir: sigam até à página 57 do relatório e leiam, com muita atenção, o que vem lá escrito! O relatório está aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Dizem que na Finlândia se vai acabar com a Matemática, a História e a Geografia...

A notícia passou um pouco despercebida à opinião pública e à própria comunidade educativa. Não se falou muito do assunto. Os telejornais não lhe deram grande relevo e na comunicação social escrita apenas a revista Sábado lhe deu algum destaque. Contudo, o título da notícia também é enganador: "Acabou-se a Matemática e a História nas escolas finlandesas" escreveu a Sábado. Mas, não é bem assim...
O que se passa é que a Finlândia quer pôr em prática aquilo a que nós por cá chamamos de interdisciplinariedade. Só que, por cá, essa interdisciplinariedade não passa, muitas vezes, de teoria e apenas é aplicada nos papéis quando no início do ano elaboramos as planificações e fica assente que será nos trabalhos de grupo e nas visitas de estudo que a interdisciplinariedade será concretizada. Por outro lado, sabemos que, muitas vezes, num mesmo ano de escolaridade os alunos ouvem falar dos mesmos temas em duas, três ou até mais disciplinas. Dou apenas o exemplo das alterações climáticas, tema abordado na Geografia, nas Ciências Naturais e nas Línguas Estrangeiras.
Claro que assumir o fim de disciplinas nucleares como a Matemática, a História ou a Geografia para apostar em disciplinas mais generalistas e transversais parece algo disparatado. Dar, baralhar ou trocar disciplinas pouco importa. Saber que a disciplina tem este ou aquele nome não é relevante. Importante é, sim, assumir a aposta num currículo que não seja repetitivo, teórico, demasiado extenso e, muitas vezes, inócuo como aquele que vigora no nosso país, por exemplo, para o 3º ciclo do ensino básico. Enquanto continuarmos a ter cerca de dez disciplinas (a que há que acrescentar as aulas de apoio, as salas de estudo, as tutorias, etc.) para alunos de 13 anos, onde a matéria é, pura e simplesmente, debitada a correr porque o currículo tem que ser todo dado até ao 9º ano e há que preparar os alunos para os exames, então bem que podemos ficar surpreendidos com o facto de em Portugal a taxa de alunos que já tiveram pelo menos uma retenção ser superior a 30%, enquanto que na Finlândia essa taxa não chega aos 5%. Não me incomoda nada que na Finlândia a disciplina de Geografia seja chamada de "Ciências da Terra", "Ciências Histórico-Geográficas", "O País e o Mundo", "A Natureza e o Homem"...
O que também sei é que quando se chega ao topo, o difícil é manter essa posição, tal como sei que quando se parte de muito baixo, qualquer ascensão é de relevo. Digo isto a propósito do estudo que compara Portugal e Finlândia nos relatórios do PISA de 2003 e 2012: enquanto que Portugal reduziu a percentagem de alunos com maus resultados e aumentou os de bons resultados, na Finlândia ocorreu o inverso. Será que os finlandeses, por verem os seus resultados piorarem (claro que de um "Muito Bom" para um "Bom") ficaram assustados e resolveram apostar na interdisciplinariedade pura e dura? Se sim, não vejo mal algum. Sempre é melhor do que fazer como por cá se faz: o "faz de conta"...  

segunda-feira, 30 de março de 2015

Quem não sabe debater não se pode queixar da falta de debate...

Paulo Guinote desistiu ou, numa lógica mais politicamente correta, decidiu-se por colocar um ponto final num dos blogues mais lidos pela comunidade docente. Se o blogue "Arlindovsky" é o mais lido por ter um conteúdo sobretudo informativo e de esclarecimento sobre a profissão docente (informa muito melhor do que os sites dos próprios sindicatos), já o blogue "A Educação do Meu Umbigo" apresentava um cariz sobretudo ideológico. Mais do que informar, o blogue de Paulo Guinote funcionava quase como que um repositório de opiniões pessoais do autor sobre o que se ia passando na Educação, numa lógica quase propagandística e de confronto com a tutela. Quanto ao debate de ideias, por culpa do próprio Guinote, era quase nulo.
Pois bem, sem que ninguém o fizesse prever Paulo Guinote decidiu-se pelo fim do blogue. A razão parece ter que ver com uma espécie de desilusão pelo atual estado do panorama político-partidário: "o consenso entre PSD e PS torna o debate numa coreografia de fingimento", afirma Guinote, pelo que, segundo o autor o melhor mesmo é desistir. É curiosa a queixa de falta de debate vindo de alguém que, nas aparições públicas e no seu próprio blogue demonstrou uma incapacidade para debater e aceitar opiniões diferentes da sua. Próprio de que tem uma postura demasiado egocêntrica...
Apesar de todo este "umbiguismo guinotista" e falta de postura democrática, é pena que o autor se tenha decidido por "fechar portas". Não tanto porque deixemos de ter acesso a uma opinião de alguém que está no terreno e que efectivamente sabe o que é uma escola (certamente continuará a escrever artigos de opinião aqui e ali), mas porque deixa antever qualquer coisa de estranho. É que convém relembrar que estamos quase em período de campanha eleitoral e, não deixa de ser estranho, que seja nesta altura que Guinote se lembra de colocar um ponto final no seu blogue. E mais não digo...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Sobre a greve de sexta-feira. E lá se foram 5 milhões de euros...

A passada sexta-feira foi marcada pela greve da Função Pública. Os sindicatos falaram em 80% de adesão; o Governo nem do assunto falou. O certo é que no sábado já ninguém falava da greve e a semana começa com a conversa do costume: a novela "Sócrates" e a continuação da sua prisão preventiva.
É verdade que muitas escolas fecharam e que a grande maioria dos professores está descontente com a actual situação que atravessamos. Há razões para o descontentamento: as carreiras estão congeladas, a vida profissional dos docentes está mais difícil (as turmas estão maiores e a instabilidade profissional cresce), continua a desvalorizar-se a profissão. Enfim, se há classe que tem sido atingida pela austeridade é a dos professores. 
Mas, a melhor solução para demonstrar esse descontentamento será mesmo a greve? Ainda por cima a uma sexta-feira? Não me parece. Já aqui escrevi muitas vezes sobre os benefícios reais de se fazer greve. Não me vou alongar muito sobre o assunto. Apenas sei que a greve apenas beneficia o Estado, com a poupança de largas centenas de milhares de euros em salários, e prejudica os grevistas (menos um dia de salário não é nada displicente). Mas, respeito quem opta por fazer greve. É um direito que tem... Apenas penso que as consequências reais são inócuas...
Pois bem, a greve da passada sexta-feira já passou e tudo segue na mesma. A única certeza é que o Estado poupou, pelas contas dos sindicatos, quase 5 milhões de euros em salários. Basta fazer as contas: cerca de 70 mil professores em greve, com um prejuízo de 70 euros em média para cada docente, dá quase 5 milhões de euros...
Greves? Não, obrigado! Para uma grande manifestação em Lisboa até à Av. 5 de Oububro, lá estarei, como já estive noutras ocasiões...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

As discórdias à volta do concurso de professores para 2015/2016...

O tema de conversa já começa a ser rotineiro nas salas de professores de muitas das nossas escolas. Pelo menos, naquelas onde a idade média do corpo docente ainda não é muito avançada, ou seja, sobretudo nas escolas das regiões do Interior do país, onde ainda há muitos professores deslocados e longe das suas áreas de residência.
Muitos são os colegas que estão contra a realização do concurso que está prestes a começar. Aqueles que estão bem colocados preferiam estar mais dois anos na escola onde dão aulas a terem de arriscar ficar mais longe. E é claro que há os outros: os que anseiam há muito pela realização deste concurso, na esperança de conseguirem uma melhor colocação ou a verem "corrigida" as injustiças que ocorreram no último concurso interno. Ora, desta divisão de opiniões (os que discordam do concurso e os que o defendem) resulta o óbvio: uma nova discórdia a dominar a classe docente. Nota-se nas conversas entre colegas: os que se insurgem contra o concurso, os que desesperam por uma nova colocação, os que ficam incrédulos com o que possa aí vir, os que estão pessimistas, os que confiam no futuro, enfim, um pouco de tudo. E até há os que, imagine-se, continuam a não acreditar que um novo concurso venha a realizar-se. Pois bem, para esses colegas (que não são poucos pelo que vamos lendo nas redes sociais) deixo aqui em cima a imagem da notícia de há um ano atrás quando ficou definido que este ano iríamos ter a realização de um novo concurso interno de professores. Será que esses colegas não ouvem notícias?!
É óbvio que quem está bem colocado preferia que a sua situação se prolongasse por mais dois anos. Pelo contrário, quem está longe de casa e pensa ter hipóteses de melhorar a sua situação, não se importa que haja um novo concurso. O problema de sempre reside nas vagas (não) existentes, pelo que as mudanças ao nível das colocações para efectivar não serão significativas. E temos o velho problema de colegas dos QZP`s menos graduados ficarem "melhor" colocados que colegas QE`s que não conseguem aproximar-se das suas áreas de residência por concorrerem numa prioridade inferior à dos colegas QZP`s, apesar de serem mais graduados. Enfim, problemas que apenas poderiam ser resolvidos de uma forma: ter na graduação dos docentes o único critério a utilizar no concurso interno, independentemente de se ser "QZP" ou "QE".
Enfim, nos próximos tempos teremos o stresse habitual: os concursos a tomarem conta das conversas de muitas das salas de professores das escolas deste país. Por enquanto, aguardemos pelo aviso de abertura para ver se há ou não novidades. Aguardemos serenamente...